Wednesday, April 26, 2006

Requiem for a Nevertold Story

E aí pessoal, beleza?

É eu sei que faz tempo que não escrevo, mas o Rafael já listou diversas razões pelas quais esse blog foi (temporariamente) interrompido, mas cá estamos de novo (na verdade ele já voltou faz tempo, mas eu só agora hehehe), ainda que agora através de uma sensacional conexão discada, graças a 'boa' vontade da NET em instalar seu serviço aqui no prédio. Anyway, o show deve continuar e idéias para escrever aqui não faltam, e vão desde mais estórias até política.

Mas o post de hoje é sobre algo que me deixou extremamente pra baixo: a perda total do meu disco rígido. Sim, eu, o homem dos backups, que geralmente deixava tudo de importante gravado em CDs, ou em mais de um disco, ou ainda em discos virtuais, fui pego desprevenido e perdi uma quantidade enorme de dados. Mais do que dados, foi uma parte da minha história que se perdeu ali, naquele disco onde desde 98 (ok, não era o mesmo disco, mas o backup de outra máquina foi pra ele) guardava minhas estórias, planos, idéias, fotos, músicas, cartas, trabalhos, projetos de mestrado... tudo perdido. Não sinto falta das músicas e dos vídeos, mas sim dos documentos que eu escrevi, ou de cartas que me escreveram; isso sim não é recuperável.

(Aos entendidos em computação, sim eu já tentei diversas ferramentas de recuperação de disco, indo até o desespero de um dd, mas não só a tabela de partições não existe mais como todos os blocos do disco são listados num badblocks.)

Muita gente pode achar frescura o que vou dizer agora, mas foi um pedaço de mim que se perdeu ali. E a cada dia, conversando com alguém ou simplesmente assistindo televisão, relembro de alguma coisa que estava lá, e me veio a idéia de criar um blog chamado 'Requiem for a Nevertold Story' onde a cada post, falaria sobre algo que havia ali e nunca mais vou ter. Então me lembrei que eu já tenho um blog e que posso postar algumas dessas coisas aqui mesmo. E bem... é o que vai acontecer.

PS: Eu sei que estou sumido, mas não achem que esqueci de vocês: eu realmente estava isolado aqui. É incrível a minha dependência da internet.

PS2: Sim, a terceira e culminante parte de 'Unspoken' também estava naquele HD e foi perdida. Vou ter que reescrever.

PS3: Atualização: minha amiga teve o mesmo problema no HD e disse que queimou a porta lógica... será qeue consigo uma assistência? Será que meus dados ainda estão ali? *torce*

ldaugusto

Friday, March 31, 2006

PE:805 - WTF!

Era uma vez um leao, um rato e um burro em uma selva (han?!), eles sairam pra cacar e pegaram algumas zebras (han?!^2). Na hora de dividir a comida o rei das selvas pediu ao burro para que ele dividisse a comida (... sim e uma fabula). O burro se achando muito inteligente dividiu igualmente em tres partes. Rapidamente o leao deu-lhe uma patada que o burro tao rapido quanto respondeu ao leao foi fazer parte de um dos montes que ele havia feito.
...
O leao entao virou-se e pediu ao rato que fizesse a mesma coisa, dividisse a comida, agora em duas partes. O rato, que sabe ponderar bem as coisas (han?!^3) fez dois montes. No entanto um era bem maior que o outro, e disse: "esse maior e a sua porcao leao..." e o leao: "muito bem, voce aprendeu bem ponderacao..." (han?!^2365428).
***
Acreditem se quiser, isso foi o meu professor de probabilidade e processos estocasticos ensinando ponderacao em uma sala com cinquenta engenheiros. A pergunta e, como devo me sentir apos isso?
a. Me levanto e volto pra casa.
b. Olho rapido pro professor, abaixo a cabeca e volto a dormir.
c. Continuo roendo minhas unhas.
d. Pulo pela janela.
e. Todas as alternativas acima, independente da ordem.
rsm
PS: O titulo e o numero da materia, pra quem ta se perguntando o que sao essas letras e numeros.

Tuesday, March 28, 2006

Dalmata?...

Palavra que existe em nenhuma outra lingua alem do portugues. No entanto sentimento que ninguem deixa de sentir. Saudade.
Certa vez me contaram uma historia sobre os dalmatas. Me disseram que eles morrem de solidao quando nao vivem em par. Alguem sabe se isso e verdade? Acho que to me sentindo como um dalmata agora....
rsm.

Sunday, March 19, 2006

Restart

Bem,
Para os que ainda nao sabem o blog estava parado por falta nao de energia eletrica, mas por falta de computadores. Isso se deve ao fato de os correntes amigos que tomam conta do referido blog estavam em um longo processo de mudanca e adaptacao. Digo, a mudanca era para SP, o estado, pois o unico que esta na capital e o Ilmo. Sr. LDAugusto. O Caro cidadao quem vos escreve esta passando algumas das horas mais criticas de sua vida na cidade de Campinas. Enquanto a adaptacao... bem... esta demorando mais.
Explicar-lhes-ei o motivo desta mudanca. Em busca de uma melhor situacao (acho que os ilustres leitores habituados com o cenario nacional sabem que quando se usa o bordao "em busca de melhor situacao", normalmente tem-se uma conotacao economica). Bem acho que ainda nao esta tao claro. vou tentar ser mais sucinto em minha explanacao, estamos em busca de um titulo que nos faca reconhecidos em um meio academico profissional.
Aos que ainda nao entenderam uma terceira tentativa. Tento agora o coloquial: estamos abarrotados de materias pra fazer no mestrado que acabamos de comecar.
Agora que o processo de adaptacao iniciou o seu fim, estamos nos preparando para lhe oferecer, caro leitor, uma leitura que possa lhe acompanhar naquelas noites frias e de insonia. Esperamos lhes proporcionar alguns momentos de entretenimento. Ou mesmo uma tentativa de fuga dos sequestradores que sao seus pensamentos em um momento de solidao.
Att.
rsm.
PS: Perdao pela acentuacao (na verdade a falta dela). Sei que a lingua portuquesa e linda. Mas meu teclado tambem e, o problema e que ele nao tem acentos.

Tuesday, December 06, 2005

(The Girl) Part 1: Hunting

Dançarina em uma boate suja do subúrbio, costumava lhe dar com todos os tipos de caras de quem as histórias mais limpas não são nem dignas de serem contadas. Chegava todos os dias uma hora adiantada, ia direto ao camarim onde se aprontava pro show que começava as 21h00. No camarim colocava a mochila onde estavam seus livros no armário com cadeado de segredo, que ela havia comprado meses antes quando começou a trabalhar naquela possilga.

Era mais nova do que aparentava ser, claro que o dono do lugar não tinha conhecimento de sua idade. Não que isso importasse. Mas ninguém podia imaginar que tudo aquilo havia acabado de sair da adolecência.

O trabalho era temporário. Era o que ela costumava dizer, mas em pouco tempo conseguiu se tornara a atração principal da noite. O dinheiro era bom e a ajudava a pagar as contas da casa. Ela morava sozinha naquela cidade imunda.

Havia se mudado pra lá pra morar com uma amiga e completar os estudos. ficou morando com a amiga até descobrir que a garota havia ficado completamente transtornada naquela cidade. Agora morava sozinha em um pequeno apartamento próximo a universidade. Sua mais nova companhia era agora... um gato.

Na mochila livros de arte se misturavam ao conteporâneo como alguns cds dos Stones e Oasis. Os óculos de armação de rezina preta dava agora lugar a uma maquiagem pesada enquanto seus cabelos pretos e lisos caiam sobre sua pele queimada.

* * *

Longe dali um cara com uma foto em p&b. Procurava pela garota da foto, frágil e dependente. Perguntando sem sucesso agora pela cidade onde havia chegado por acaso.

Saído de um interior onde morava com seu velho dogue alemão. De orelhas inteiras e focinho triste o cachorro era quase uma caricatura do dono. Mas naquela cidade o homem corpulento, mas de aparência cansada, precisava de uma bebida e um lugar pra enconstar as costas até o outro dia, onde ia continuar a procurar a menina.

Encontrou um motel sujo e fedorento onde o dinheiro amassado em seu bolso seriam suficientes para passar a noite, e ainda ia sobrar um tanto pra tomar alguma coisa. Perguntou pro atendente do motel por um lugar onde poderia sentar e beber, o velho lhe apontou o Bar do outro lado da rua.

* * *

O atendente serviu uma bebida ao estranho que acabara de entrar. Não pareceu curioso sobre aquela carcaça velha sentada à sua frente. O homem parecia cansado. O garçon preferiu não iniciar uma conversa com o cidadão, apesar de o bar não estar lotado. Ele não gostava de conversar com desconhecidos que iam beber naquele lugar. Isso costumava conservar seus dentes inteiros.

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O atendente fez sinal para o locutor iniciar o show chamando a dançarina. O garçon agora servia o segundo copo de tequila para o homem sentado no balcão.

A garota agora dançava sobre o palco ao som de johnny cash e vestida com roupas de cowboy.

O homem no bar não se virou em nenhum momento para olhar pro palco. Mas um único gesto seu fez a garota parar o show por um instante e alguns segundos mais tarde correr em direção ao camarim. Terminando o show inesperadamente e rezando internamente pra que ele não a tenha visto. A garota pegou a mochila e saiu correndo pela porta de trás. Assustada.

* * *

Ao terminar a terceira dose ele jogou o dinheiro sobre a mesa, se levantou e andou em direção a porta, parando em frente a um cartaz de uma garota vestida de cowboy...

rsm

Friday, December 02, 2005

(Unspoken) Part 2: Behind the eyes

Mais uma vez se espantou com aquele jovem e se achou velha, ainda que gostasse muito dele. De certa forma estava até surpresa em vê-lo. Sabia que ele evitava ao máximo sair domingo a noite, mas nunca tinha entendido o porquê. Com certeza havia uma razão muito forte; perguntaria depois, não importava naquele momento.

Se afastou da porta como se não houvesse outra coisa a fazer senão deixá-lo entrar. Viu ele se aproximar para abraçá-la, e com um ágil passo a frente, o beijou antes do abraço. Não foi exatamente um beijo, foi mais um 'selo', quase como dois pássaros se bicando. Antes que ele pudesse expressar surpresa, sorriu misteriosamente e começou a andar em direção ao quarto.

Odiava o abraço dele. Era forte demais, quente demais, seguro demais. Se sentia uma garotinha assustada e dependente. Lembrava de quando tinha pesadelos e tentava ir a cama do pai, mas sempre encontrava a porta dele trancada. Então voltava a se agarrar no lençol e observar o guarda-roupas por horas, como se somente assim ela pudesse fugir do monstro a tempo.

* * *

Recuperou-se da nova paralisia depois do susto do beijo. Não que um beijo dela fosse novidade, mas... assim? Bateu a porta e a observou deslizar com agilidade pela sala. O rebolar era suave e discreto, como quase tudo nela, exceto as opiniões e o geniosidade.

'Sala' na verdade seria uma definição muito bondosa para esse depósito de entulhos que interligava o quarto, o banheiro, a cozinha e a porta de entrada. Andava devagar e olhando para o chão, tomando cuidado para não tropeçar nas caixas ou pisar nos papéis. Se imaginou atravessando um lago cheio de jacarés, com pequenas pedras onde poderia pular em segurança.

Enquanto pulava, prestou atenção nos livros pelos quais passava: "Vigiar e Punir", alguma-coisa-"Protestante e o Espírito do Capitalismo", "Ensaio sobre a Cegueira" e um par de livros de Nietzche. Lembrou de como algumas vezes ela insistentemente adicionava comentários (geralmente desnecessários) de alguns desses livros, e, distraído, tropeçou em uma pesada edição de capa dura de "Os Pilares da Terra, vol. 2". Se abaixou para juntar e notou um "Harry Porter e a Câmara Secreta" que estivera oculto, bem como duas ou três continuações (quem poderia saber?).

Levantou a cabeça na direção dela, mas antes que pudesse expressar a confusão de sua mente, recebeu um olhar fulminante vindo da porta do quarto. Acelerou o passo até lá.

* * *

Ouviu a melosa melodia de Wicked Game vinda de dentro do quarto e correu para fechar o programa de MP3 que esqueceu ligado, colocando o editor de textos em primeiro plano. Não se orgulhava de uma boa parte da playlist, mas era o que gostava, então ouvia sozinha em casa. Virou ainda um pouco envergonhada para ver a reação dele ao entrar ali. Sorriu maliciosamente quando percebeu a expressão de dúvida do rosto dele: sim, a bagunça arranjada foi eficiente no seu propósito: estava casual, despreparado para uma visita.

Iniciou uma elaborada e complicada estória sobre uma ligação do chefe, por que estava trabalhando no computador uma hora daquelas, e que deveria-entregar-um-importante-relatório-de-última-hora-no-dia-seguinte e... se deu conta que ele estava fazendo aquilo de novo. Aquele olhar calmo e analisador, típico de um desistente do curso de Psicologia, observando cada mudança de tom em sua fala, como se a qualquer momento fosse apontar o dedo em seu rosto, rir da sua mentira boba e mostrar que já sabia de tudo. Se sentia nua.

Não importava se era o gosto pelo bruxinho famoso, os velhos VHS com episódios dublados de Blossom, a paranóia perfeccionista, ou ter crescido desapegada de amigos e familiares devido às constantes mudanças de cidade por causa do emprego do pai. Contaria quando chegasse o momento certo, não queria ter seus segredos roubados assim.

Sentou novamente na pesada cadeira e o som do teclado barulhento voltou a assombrar o quarto.

ldaugusto

[Playlist: Whatever/Octopus' Garden do Oasis, Wicked Game do HIM (calma, eles regravaram numa versão rock), Minerva do Deftones, The Haunting do Kamelot e Black do Pearl Jam (sim, eu sou masoquista)]

Monday, November 28, 2005

(Unspoken) Part 1: The girl at the door

A porta do elevador começou a fechar. Isso o fez despertar da súbita paralisia. Apertou a campainha meio que instintivamente, então começou a se preocupar em respirar mais devagar.

Era a primeira vez que ele entraria no 'apertamento' dela, como ela mesma chamava (sua mãe chamaria aquele lugar de chiqueiro) e usava como desculpa para nunca levá-lo ali, então estava um pouco nervoso. Imaginara na sua cabeça como seria aquele lugar muitas e muitas vezes. Apertou novamente a campainha.

Sabia que não iria demorar, o filme ia começar em meia hora e ela tinha insistido para que eles fossem, ainda que ele tivesse programado aquela noite para assistir meia dúzia de senhores de meia-idade discutindo acaloradamente por nada enquanto os gols da rodada passavam ao fundo. Apertou a campainha uma terceira vez.

* * *

Deixou a campainha tocar duas vezes. Era o bastante, assim iria abrir a porta sem demonstrar pressa em vê-lo. Sabia que era ele, mas o jogo continuava. Arrastou a pesada cadeira do computador em que estava sentada, calçou as sandálias e se levantou. Antes de sair do quarto, olhou pra trás e pensou em arrumar alguma coisa, depois olhou para o perfume na prateleira. Desistiu das duas idéias, ele não deveria supor nada de errado.

Enquanto caminhava pela pequena sala onde residiam caixas de papéis e livros de uma mudança que parecia que nunca iria terminar, a campainha tocou de novo. Se aproximou da porta e primeiro o observou pelo 'olho mágico', assim levaria mais algum tempo, faria parecer que não sabia quem chegava àquela hora de um domingo a noite. Do outro lado, ele parecia meio aborrecido pela espera. Acendeu a luz e abriu a porta.

* * *

Sandália havaiana verde-musgo, calcinha velha azul claro, uma camisa preta da Janis alguns números acima, os frágeis óculos de armação prateada meio tortos no belo rosto e a maior parte do cabelo castanho preso num rabo-de-cavalo, com uma pequena mecha caída sobre o rosto.

Não era exatamente assim que imaginava levá-la para ver uma daquelas sessões noturnas de cinema alternativo. A olhou mais uma vez dos pés a cabeça como se procurasse de novo o resto da roupa. O rosto mostrava uma aparente surpresa, mas ele sabia que ela tinha excelente memória, além do mais foi ela quem o chamou no começo da tarde.

Não iriam ao cinema, era mais um dos mistérios dela. Sorriu ao perceber isso. Qual era a razão de todas aquelas atitudes? Como mesmo de um jeito tão mundano ela conseguia ser tão linda? Aquele lugar poderia lhe dizer alguma coisa a mais sobre ela, poderia lhe fazer entender o que havia por trás daquela máscara.

Entrou quando ela deu um convidativo passo para trás.

ldaugusto

[Playlist: Lost Lullaby, Stars, Humane, Cold Heritage, Falling Again, Entwined e Unspoken. Todas do Lacuna Coil]